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6 de janeiro de 2013

Os porteños nos adoram

Eu deveria ter feito uma pesquisa minuciosa de tudo o que fiz, principalmente ter lido as anotações da viagem, mas queria que este relato fosse genuíno, autêntico, e que revelasse as melhores lembranças. Escrevi um relato amplo, sinuoso e todo cheio de erros, assim como o inesperado dos vários momentos perdidos nas largas avenidas da arquitetônica Buenos Aires.

Podem apostar que confundi os nomes das organizações, detalhes dos acontecimentos, dos lugares em que estive, das pessoas que entrevistei etc., mas, mesmo assim, acho que vale a pena divulgar um relato tão impreciso e subjetivo porque nada como transmitir a áurea inspiradora dos ares bonaerenses.

Depois de desembarcar no Aeroporto Ezeiza e descobrir que não tinha mais fumaça nenhuma, alívio número 1 - o ar da capital estava "irrespirável" há poucos dias antes de chegarmos, em decorrência das queimadas intencionais da região rural que circunda a cidade. Os porteños sofriam com o denso humo que tomava conta da metrópole. Nem de longe as condições climáticas lembravam o que um dia deu nome ao local, os "buenos aires”.

Logo depois de perceber que do pulmão não sofreria, me impressionei com a autopista que liga Buenos Aires a outra província! Isso na ocasião me pareceu muito caro e sinal de que encontraria muita riqueza pelo caminho. Mas assim que entramos na rodovia, deparei-me com carros de marcas antigas e em péssimo estado de conservação, daqueles que nem os brasileiros pobres usam mais.

Primeira impressão que foi logo suprimida assim que cheguei à Avenida 9 de Julio, lá já era possível ver carros das marcas famosas, em melhor estado de conservação (mas que mesmo assim não era tão próximo da realidade automobilística que o Brasil, e em especial São Paulo, está passando).

- A Avenida 9 de Julio é a maior em largura do mundo, com mais de 10 faixas, informou orgulhoso o taxista, Fabián. No momento pensei em averiguar esta informação no futuro, mas como não o fiz até hoje, digo pelo que vi, larga ela realmente é. Além disso, a amplitude e a beleza arquitetônica das construções às suas margens também impressionam. Logo no primeiro dia já escutamos a música que marcaria a viagem.

Sábado à noite, depois de conhecer o Bruno, um brasileiro que estuda medicina em Buenos Aires, e ir tomar uns tragos no bairro da Recoleta, alguns amigos e eu fomos convidados para uma festa vai-saber-em-que-parte-da-cidade-de-Buenos-Aires (distante aproximados 15 km do centro) com apenas argentinos e argentinas. “Era tudo o que queria”, pensei. “Vou fugir destes lugares turísticos e conhecer a verdadeira Buenos Aires”.

Chegando ao local, era uma festa de jovens de 16 a 25 anos, com muita Cumbia e ritmos latinos. Nesse instante, qualquer receio quanto à recepção dos hermanos foi dissipada (assim como a fumaça das queimadas): os porteños adoram os brasileiros!!! Sem contar que todos tentam falar português, elogiam nossa política, democracia, praias e claro, as belas mulheres. Outro episódio também poderia bem resumir o sentimento que me tomou durante a viagem...

Estava com um grupo grande de argentinos, alguns amigos do Brasil e dois brasileiros que moravam lá quando nos dirigimos a uma pizzaria na Calle Callao (muitas histórias aconteceram nesta rua emblemática cá para este brasileiro, mas isto fica para uma próxima vez), uma discussão viva animava os participantes que pensavam nas possibilidades de ir ou não para um boliche* comemorar o aniversário deste que vos faz este relato – sim, era meu aniversário. (Boliche = balada, no espanhol da Argentina).

Eram umas dez pessoas, com idades variando entre 19 e 23 anos. A mais jovem dos participantes, nos recebeu com um sorriso e nos levou a dar uma volta naquele prédio enorme (ok, não era prédio, nem era tão enorme, mas pelo tanto que andamos, assim me pareceu). Fomos levados a todos os ambientes, no terraço, tínhamos uma linda vista da avenida, cheia de carros e podíamos ver também os cafés e os escritórios dos prédios em frente. Era uma sensação esquisita.

A Argentina estava passando por um processo intenso. São fábricas ocupadas, assembleias reunidas periodicamente apenas na cidade de Buenos Aires, mas os carros novos, bairros elegantes e bem conservados estes estava,m em falta. Mesmo assim, apesar da simpatia com os brasileiros, todos se comportavam como se fossem italianos oriundos de Milão.Apesar dessa balbúrdia política, a vida continuava, como se nada acontecesse. Do alto, víamos os taxis, os escritórios e todos os Havanas.

Dava a impressão que muita gente ali estava vivendo sem que sequer soubesse dessa efervescência subterrânea... Era realmente algo muito estranho... Mas sabiam, estavam apenas vivendo da forma mais rotineira possível. Os dias se seguiam e meu ótimo senso de localização me fez decorar os principais bairros e suas avenidas apenas olhando minuciosamente um mapa do metrô. Dona Vivian, minha companheira de viagem, se sentia completamente à vontade em qualquer parte da cidade que estivesse sabendo que voltaria comigo.Sim, eu era o seu "personal GPS". Por alguma razão inexplicável, tinha a total certeza que não se perderia.

Mas, graças a esse mapa e às viagens pela cidade, fiquei com uma grande dúvida. O que vale mais a pena: um metrô considerado de ótima qualidade, com certificações e apontado como um dos melhores do mundo quanto à limpeza, rapidez e segurança (mas com preços exorbitantes e espremidos mais que atum) ou uma linha que oferece estações que levam a quase todos os pontos da cidade, entretanto suja, com vagões antigos (o de madeira é histórico, portanto não conta, vale a pena a visita) lento, mas que é acessível a todos os bolsos, tanto os dos brasileiros quanto os dos argentinos?

Esse é um tema para longa discussão, a questão é que o transporte público na cidade de São Paulo (atualização para 2013: essa comparação deveria ter sido feita com o Rio, de longe o pior metrô do Brasil) deixa muito a desejar mas possuímos um dos melhores sistemas de metrô do mundo. O preço alto é que não colabora. Pagar R$ 2,40 (que tempo bom, que não volta nunca mais!!) para qualquer trabalhador comum é inviável. Buenos Aires possui 68 estações, numa área três vezes menor que a ocupada pela capital paulista e possui tarifa de ônibus também considerada barata por qualquer porteño.

Viajar a outros países nos faz valorizar a nossa cidade e racionalizar se nossos problemas são realmente os piores. A encruzilhada é: metrô mais caro, com poucas opções de estações mas excelente qualidade ou metrô mais barato, com muitas opções de estações e qualidade duvidosa? Eu cá tenho minhas dúvidas...

Nós, brasileiros (e não apenas nós), adoramos ir para Buenos Aires, cidade cuja urbanização nos parece tão mais satisfatória, com suas avenidas largas, espaços públicos, tantas livrarias quanto o Brasil inteiro, mais seus cafés, onde comemos chorizo e bebemos Malbec e pensamos em Jorge Luis Borges, para não falar de Cortázar, Saer, Arlt e tantos mais. Todos os dias às 17hs parava tudo e entrava em um Havana para me deliciar com seus doces, chocolates e claro, o café. Sou apaixonado por cafés bem elaborados.

No entanto, como ficamos sempre tempo suficiente para as compras e para essa contemplação idílica, não ficamos atentos aos problemas deles. Tão comuns e inóspitos quanto os nossos. Admiramos a baixa taxa de analfabetismo e a coragem dos panelaços, assim como o cinema recente, mas nos esquecemos da inflação e da infraestrutura inadequada.

Não cedemos nada em nossa preferência (e não só nossa) por Pelé, mas admiramos o futebol de Maradona e seus herdeiros. Esse é um assunto que não tem ponto comum. E agora com Messi? E eles, argentinos, também gostam muito dos brasileiros, da música de Tom Jobim e Chico Buarque e muitos outros, do futebol de Pelé e Rivelino, dos restaurantes de São Paulo e da paisagem do Rio, para não falar das praias catarinenses. Ultimamente invejam até mesmo nossa suposta estabilidade política.

Falando em estabilidade política, lembrei-me de um amigo do começo de carreira, bem do começo, o saudoso Daniel Piza. No parágrafo seguinte, ele expressa bem a dicotonomia Brasil versus Argentina.

“Ambos os povos são passionais, cada um a seu estilo. O argentino é exigente demais, briguento, senão neurótico, mas o faz para defender um ideal político e uma vida mais justa; o brasileiro prefere sempre o consenso, por mais fracos os critérios em que se dá. Os fantasmas argentinos, como Perón, pesam; os brasileiros, como Getúlio, finge-se que não. O argentino se acha europeu; o brasileiro lamenta não ser. Se num país o complexo de superioridade descamba em autocrítica melancólica, no outro o sentimento de inferioridade está sempre pronto à auto-exaltação. De qualquer forma, a questão é muito parecida, porque envolve escapar de dilemas culturalmente impregnados ao longo da história, abandonar mitos como o da esperteza mestiça e enfrentar os problemas de modo mais pragmático, menos personalista. Aí não há Mercosul que dê jeito. Sem trabalho e clareza não existe solução”.

É por isso que não se deve ter medo de conhecer a força e coragem argentina e sempre que possível, refletir sobre a sociedade brasileira. Passar alguns dias na capital portenha e viver a aventura bonaerense como se estivesse na década de 30 é interessante, mas é importante refletir sobre audácia dos argentinos por constantemente questionarem seus políticos e seus problemas protestando, de fato. Mas, como também queremos viver de Tango, toda trip tem sua trilha sonora. Não há sensação melhor no retorno que cantar a todos, em alto e bom tom: lo que pasó, pasó, entre tu y yo!

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Relato escrito em abril de 2008, pouco depois de uma viagem de uma semana a Buenos Aires.
Obs: não sei porque decidi postar apenas hoje, mais de quatro anos após a viagem...

8 de novembro de 2012

NO SOMOS VENEZUELA


Este é um dos melhores cartazes que vi durante o protesto dos argentinos
contra a política do governo de Miss Cristina Kirchner.

12 de julho de 2012

Argentina, o país que podia ter sido (mas não foi)

O caso é famoso. Nos primeiros anos do século XX a Argentina era o país mais rico das Américas. Sim, não era apenas da América Latina mas de todo o continente americano. A renda per capita dos argentinos era quatro vezes superior à dos brasileiros e o dobro da dos norte-americanos.

Noventa anos depois, a Argentina vê florescer ao lado de bairros de classe média e vizinhanças luxuosas uma série de aglomerações urbanas. Em alguns casos, são verdadeiras Rocinhas (guardadas as devidas proporções) que se cravam no meio da paisagem portenha. Este é o caso da Villa 21, no bairro de Barracas, pouco adiante da famosa área turística de La Boca. O local é um exemplo da realidade bonaerense.

A título de curiosidade. Segundo estimativa do economista argentino Ernesto Lavagna,se comparada a performance econômica brasileira com a argentina poucos anos depois da Idade de Ouro dos Hermanos, o Brasil cresceu a uma taxa média que duplicava seu PIB a cada 28 anos entre os anos de 1930 e 1945 enquanto a Argentina precisaria de 42 anos para fazer o mesmo. Na mesma linha, na década de 1970, o Brasil cresceu a uma taxa que duplicava seu PIB a cada nove anos, enquanto a Argentina precisaria de 29 anos.

De onde surgiu a ideia deste post? A matéria recente sobre a atual realidade argentina no El Pais.

4 de maio de 2012

Argentina provoca Inglaterra por Malvinas

A imprensa britânica está furiosa com os argentinos que, ousados, provocaram os europeus ao gravarem um comercial no local onde seria o memorial dos combatentes de guerra ingleses nas ilhas Malvinas (Falklands).

A propaganda mostra Fernando Zylberberg, capitão do time de hóquei argentino, treinando para os Jogos Olímpicos de Londres nas Malvinas, sob o slogan:

- Para competir em solo inglês, treinamos em solo argentino. 

Veja o vídeo

2 de abril de 2012

Malvinas, 30 anos depois...

O Le Monde, periódico francês, deu amplo destaque nesta segunda-feira (02) para os 30 anos do conflito entre Reino Unido e Argentina pelo controle do arquipélago das Malvinas (Falklands). Enquanto isso, os ingleses do The Guardian preferiram deixar apenas um box – com um excelente infográfico – no meio da página.

Os jornais brasileiros também colocaram o assunto em suas páginas principais, mas por conta do destaque dado às falcatruas nas quentes planícies áridas do Centro-Oeste brasileiro (pra variar), a chamada também ficou para baixo nas homes dos portais.




23 de março de 2012

Sampa versus Buenos Aires

Inspirado em Paris versus Nova York, eis que chega o blog Sampa versus Buenos Aires.

A contar pelos primeiros posts – que já estão divertidíssimos – vai
ser delicioso acompanhar o desenvolvimento da versão latina.


Afinal, você vai de Mônica ou Mafalda? Prefere um brigadeiro ou um alfajor?

Divirta-se!!!
O Doce


O Cartunista

O Rei

O Personagem

19 de março de 2012

Malvinas ou Falklands?

Neste mês de abril completam-se 30 anos da Guerra das Malvinas, nome dado ao conflito armado protagonizado entre Grã-Bretanha e Argentina pelo controle das ilhas localizadas ao Sul do Oceano Atlântico.

Apesar da escalada do discurso argentino pelo controle do arquipélago, os Kelpes – nome dado aos nativos – após nove gerações, consideram-se britânicos. Apenas duas famílias argentinas habitam o local.

Detalhe: o Brasil e outros países da América do Sul interromperam o comércio com navios com bandeira das Malvinas em apoio ao pedido dos hermanos. Se pensarmos apenas em questões ligadas a territorialidade, seria óbvio dizer que as Malvinas são da Argentina. Mas será que não é válido também pensarmos no quesito autodeterminação dos povos? Ou seja, a população não deveria ter o direito de opinar com quem quer ficar?

Detalhe II: a Argentina começou a mostrar mais visivelmente sua insatisfação após a descoberta de petróleo nas Malvinas. Retomar o controle é unir o útil ao agradável, não?


12 de novembro de 2009

Mais rainha que nunca

Nove Rainhas - uma pequena metáfora da Argentina (e por que não da América Latina)?

A fotografia, as falas, o cenário, a temática, tudo me fez pensar que se tratava de um filme americano ou europeu, francês talvez. As falas me instigavam, o enredo estava eletrizante e, como bom cinéfilo, ao término da película, quando os créditos apareceram, me surpreendi ao ver que não tinha apenas sido gravado em Buenos Aires, mas era um autêntico filme argentino. Lá pelos idos de 2000 nasceu minha admiração pelo cinema argentino. Nove Rainhas é uma daquelas realizações bem-sucedidas que escapam do escopo do comum e foge do que os críticos e o público do Cone Sul conhecem pelo rótulo de "cine argentino".

A atração ocorre instantaneamente nos primeiros minutos pois a mentira, o engano, a explicação, a rementira e o reengano não estão presentes apenas para contar a história mas também para envolver os personagens e o público no planejamento audacioso do roubo das Nove Rainhas, uma coleção valiosíssima de selos.


Embora estreante, Fabian Bielinsky inventou uma fórmula novelesca que fez sucesso. Criou o que os argentinos já consideram como um dos melhores filmes de sua história. O longa tem na sua estrutura um roteiro robusto e inteligente, mas nada complexo. A história é compacta e divertida (afinal, bom humor é essencial mesmo nas tramas mais sherlockianas), mas o trunfo está na atuação excepcional do elenco em que são colocados no mesmo patamar os protagonistas e os coadjuvantes. Todos são essenciais para o encaminhamento perfeito da história.

A parceria Ricardo Darín (Marcos) e Gastón Pauls (Juan) ofusca o resto da equipe no memorável diálogo em que se confronta a quantia que, teoricamente, um deles aceitaria para passar a noite com outro homem. Claro que a situação é hipotética, mas a intenção é óbvia: todos têm o seu preço, para qualquer coisa, seja ela legal ou ilegal.

É uma pena que não tenha sido escolhido para representar a Argentina no Oscar, pois certamente teria vencido. Foi merecidamente elogiado em todo o mundo e, especialmente, nos Estados Unidos e Espanha. Mel Gibson tentou comprar o roteiro mas quem levou, juntamente com George Clooney foi a Warner Bros. Uma pequeno êxito cinematográfico que valida de forma objetiva que a corrupção não é apenas uma questão pontual, mas um mal mundial.

20 de abril de 2009

Tragédia no Brasil - O que os argentinos estão dizendo

O acidente que matou 7 turistas argentinos está sendo amplamente noticiado no país porteño. Assim que soube da tragédia, imaginei que fossem imputar a culpa às estradas brasileiras em péssimas qualidade mas, errei completamente. Estão tratando o assunto com bastante parcimônia.


El Periódico Austral

El Siglo Web


Minuto Uno



Yahoo Argentina

El Clarin


1 de abril de 2009

O melhor 1º de Abril

Se eu não tivesse meios de me informar disponíveis durante todo o dia e alguém tivesse me ligando para contar da grande "paliza argentina" de 6 a 1, teria facilmente achado que se tratava de uma brincadeira muito descarada de 1º. De Abril. Mas não meus caros, a Bolívia chutou 6 gols, sim 6 GOLS, na rede argentina. Como todos sabem, adoro a Argentina, mas ver fotos com os colombianos vibrando e Maradona cabisbaixo, não tem preço!

Melhor que isso, era ver a capa do maior jornal argentino estampando o que os brazucas estavam achando da partida: HUMILHANTES, MEU CAROS, HUMILHANTE!

6 de março de 2009

Um povo que bebe, fuma, usa drogas, é luxurioso e vive muito mais!

"Don José Medina parou de beber aos 106. De vez em quando, ainda toma "um puro" (aguardente), mas não mais de um por dia. Fuma, mas muito menos do que quando 'era jovem' -ali pelos 70 anos. Aos 112, não conseguiu largar o chamico, cigarro feito com uma erva alucinógena. Medina vive em Vilcabamba, um povoado com cerca de 4.000 habitantes no interior do Equador (650 km ao sul da capital, Quito) que a paranóia pela vida saudável ainda não encontrou. As condições sanitárias do local são um desastre -na maioria das casas, não há esgoto nem água encanada. Seus habitantes fumam, bebem álcool, comem muito sal, tomam muito café, usam drogas. E são um dos povos com maior proporção de pessoas centenárias no mundo -cerca de dez vezes mais do que a média. Centenários e saudáveis."

Quando olhamos ao redor e percebemos que a cada 500 metros existe uma academia, cai uma ficha intrigante: a sociedade pede que sejamos saudáveis e tenhamos hábitos melhores mas nos borbardeia diariamente de situações tão mais deliciosas, dificultando assim dietas, corridas etc.. deixando a tão conclamada vida saudável bem mais difícil.

Cuidar do corpo evita que as doenças tomem conta de nossas juntas, retarda o envelhecimento e prolonga o tempo de vida. Será? Parece que não.

Em um povoado do Equador a população não segue nenhuma das regras de saúde contemporâneas e tem a maior proporção de pessoas centenárias do planeta. Lá os caras, bebem, fumam, se drogam, fazem sexo sem segurança alguma e chegam aos 120 anos... Não tô não! Não inventei uma única linha disso tudo. Basta ler a matéria da correspondente da Folha em Buenos Aires.

30 de abril de 2008

Metrô de Buenos Aires - O que é mais importante: preço baixo, qualidade ou extensão?

Estou com uma grande dúvida. O que vale mais a pena: um metrô considerado de ótima qualidade, com certificações e apontado como um dos melhores do mundo quanto a limpeza, rapidez e segurança (mas com preços exorbitantes) ou uma linha que oferece estações que levam aos principais pontos da cidade entretanto suja, com vagões antigos (o de madeira é histórico – outra coisa portanto) e que tem péssimas indicações (mas acessível a todos os bolsos)?
Esse é um tema para longa discussão, a questão é que o transporte público na cidade de São Paulo deixa muito a desejar mas possuímos um dos melhores sistemas de metrô do mundo. O preço alto é que não colabora. Pagar 2,30 para qualquer trabalhador comum é inviável
Buenos Aires possui 68 estações, numa área 3 vezes menor que a ocupada pela cidade de São Paulo, levando seus passageiros a quase todos os pontos importantes, além disso, a tarifa de ônibus é acessível a qualquer porteño. Assim, quem quiser, por exemplo, ir a algum lugar que não possui metrô, basta uma moedinha de 1 peso e ainda receberá 0,10 peso de troco.
Viajar a outros países faz valorizar a nossa cidade e racionalizar se nossos problemas são realmente os piores.
A encruzilhada é: metrô mais caro, com poucas opções de estações mas excelente qualidade ou metrô mais barato, com muitas opções de estações e qualidade duvidosa? Eu cá tenho minhas dúvidas...

29 de abril de 2008

Pontos Turísticos



Obelisco - AV 9 de Julio








Casa Rosada - Plaza 25 de Mayo










Congresso Nacional - Calle Callao






Fotos: Sérgio Vieira

Mary Digby

O Aislan mostrou este vídeo que é sucesso na net. Precisei ir à Argentina para descobrir essa garota...

28 de abril de 2008

Palpites certeiros

Aqui em Buenos Aires pude comprovar que meu feeling até que está bacana. Dentro dos táxis, no Burger King e também durante um passeio pela Calle Santa Fé (a Oscar Freire deles) pude escutar duas das 3 músicas novas que dei como palpites no post da Madonna, na ocasião em que consegui a íntegra do álbum com alguns dias de antecedência. Tanto She´s not Me e Incredible estão tocando na cidade. Ponto positivo por ter acertado, mas agora não tenho mais a sensação de ser um dos poucos privilegiados com algum material inédito.

28 de abril - ANIVERSÁRIO EM BUENOS AIRES

Não é sempre que você pode comemorar seu aniversário em Buenos Aires. Depois de rodar boa parte da cidade fazendo entrevistas sobre cinema argentino e políticas culturais, voltamos ao hotel e decidimos ir jantar para comemorar o meu aniversário. Depois de descer na estação Callao (o metrô de Buenos Aires merece um post exclusivo portanto não vou dar muitos detalhes), não sabiamos se seguiamos para a esquerda ou direita em direção ao Hostel das outras jornalistas. Usando a minha boa técnica de encontrar pessoas que podem ser interessantes no meio da multidão, pedi informação a um cara:
- Oiga, por favor, sabes como puedo llegal al Hostel La Rocca?
- Vos sos brasileño?
- Sí, soy!
- Ah, pode falar em português então!!!
Depois de 20 minutos conversando na esquina da Corrientes com a Callao chegou o momento de dizer tchau ou de chamar o brasileiro para jantar com a gente. Resumão: 2 pizzas e muitas histórias para contar tanto dos turistas quanto do brazuca que já estava vivendo em Buenos Aires por alguns meses. O Aislan foi um achado na viagem, pq apresentou bons lugares, sem falar que foi uma companhia engraçadíssima! Claro que a noite só terminou depois de mais uma trilha sonora para a viagem, Canción Moderna.

27 de abril de 2008

Fui solteiro e voltei casado

Domingão, um solzinho razoável em Buenos Aires (por sinal, único dia que andei de camiseta e bermuda de surfista), programa de turista pré-trabalho duro é a famosa feirinha de San Telmo.
Muitas bugigangas, muita música, pares de tango por todos os lados e claro, brazucas! Buenos Aires foi invadida por brasileiros já que a cotação do Real colabora para que
consigamos realizar o desejo de uma viagem internacional além de ajudar bastante com as comprinhas. Lugar bem estiloso, que reúne o artesanato bonaerense, muitos turistas do mundo todo e claro, cerveja e vinho. Mais ou menos uma versão muito melhor da nossa Benedito Calixto, muito embora eu adore este tipo de local, tenho que reconhecer que a cidade (intencionalmente ou não) tem diversos lugares propícios ao turismo e “organizou” na região de San Telmo uma mega feirinha com barracas bem bacanas para todos os gostos – de roupas, doces, livros a até um Maradona sósia (idêntico mesmo) – que cobra 10 pesos por uma foto.
O local é freqüentado por artistas circenses e o pessoal que busca um trocado divertindo quem visita a cidade. Ao lado de uma linda jornalista, fui chamado para participar de uma brincadeira realizada a céu aberto, no paseo principal, por duas palhacinhas. Elas perguntavam se eu queria um papelzinho ou uma surpresinha, pedi a jornalista que escolhesse e assim, eis que surge um papel escrito: Hoy es el dia de su boda! De repente, uma “igreja” estava armada, com tapete vermelho, buquê e convidados de todas as partes do mundo filmando a minha entrada na igrejinha. RESULTADO: Casei em Buenos Aires e fiquei famoso em alguma parte do mundo.

A trilha sonora

Logo no primeiro dia já escutamos a música que marcaria a viagem. Sábado a noite, depois de conhecer o Bruno, um brasileiro que estuda medicina em Buenos Aires, e ir tomar uns tragos no bairro da Recoleta, os jornalistas Sérgio Vieira e Vivian Stychnicki foram convidados juntamente com outros jornalistas (Fernanda Haddad e Niviane) e agregados para uma festa vai-saber-em que-parte-da-cidade-de-Buenos-Aires (distante aproximados 15 km do centro) com apenas argentinos e argentinas. Chegando ao local, uma festa de jovens de 16 a 25 anos, com muita Cumbia e ritmos latinos. Nesse instante, qualquer receio quanto à recepção dos hermanos foi dissipada (assim como a fumaça das queimadas): os porteños adoram os brasileiros!!!

Lo que pasó pasó, entre tu y yo!

26 de abril de 2008

Primeiras impressões da Argentina

Depois de desembarcar no Aeroporto Ezeiza e descobrir que não tem mais fumaça nenhuma (alívio número 1) percebei que a autopista que liga Buenos Aires á outra província é um elevado com mais de 40 km! Isso me pareceu muito caro e sinal de que encontraria muita riqueza pelo caminho. Mas assim que entramos na rodovia, deparei-me com carros de marcas antigas e em péssimo estado de conservação, daqueles que nem os brasileiros pobres usam mais. Primeira impressão que foi logo suprimida assim que cheguei à Avenida 9 de Julio, lá já era possível ver carros das marcas famosas, em melhor estado de conservação (mas que mesmo assim não era tão próximo da realidade automobilística que o Brasil, e em especial São Paulo, está passando). Segundo o taxista, Fabián, a Avenida 9 de Julio é a maior em largura d o mundo, com mais de 10 faixas. Preciso ainda averiguar se a informação é correta, mas que a amplitude e a beleza arquitetônica das construções impressionam, isso sim, é verdade.

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