4 de maio de 2012
O Pequeno Príncipe
15 de abril de 2009
A mais objetiva descrição do malandro paulistano
João Antônio teve um começo de vida que dificilmente prenunciaria sua trajetória como homem de letras. Criado em uma favela na Vila Anastácio, às margens do Rio Tietê nas imediações mais pobres da Lapa de Baixo, onde não havia escolas ou cinemas, mas bordéis e botequins, o escritor descreveria mais tarde a região como um lugar que parecia reunir todas as nações que não deram certo em parte alguma. Ali havia imigrantes espanhóis, japoneses, russos e poloneses. "O mundo de Gorki estava ali na minha frente", costumava afirmar.
O jogo de sinuca, que apareceria em diversas histórias suas, ele conheceu na zona do meretrício, que freqüentava desde os 16 anos. O ambiente, ao mesmo tempo miserável e livre, não sufocou sua vocação natural e irresistível de escritor. "Cedo eu entendi que a única coisa que me dava prazer intelectual era escrever", comentou em uma entrevista. Aos 23, já trabalhando como repórter, tomou coragem e rascunhou seu primeiro conto, Malagueta, Perus e Bacanaço. Os originais se foram num incêndio que destruiu sua casa, em 1960. Persistente, reescreveu linha por linha, de memória, e, em 1963 conseguiu a publicação.
Na obra, ele traça, sem clichês ou falsa moral, o retrato de três malandros da sinuca, tipos que conhecia de sobra. Ao fundo, e permeando toda a ação, o bairro da Lapa. A Lapa de Baixo. Em diversos momentos, ele se detém numa descrição que entrelaça personagens, situações e a descrição da região:
"Para os lados do mercado e à beira dos trilhos do trem - porteira fechada, profusão de barulhos, confusão, gente. Bondes rangiam nos trilhos, catando ou depositando gente empurrada e empurrando-se no ponto inicial. Fechado o sinal da porteira, continua fechado. É pressa, as buzinas comem o ar com precipitação, exigem passagem. Pressa, que gente deixou os trabalhos, homens de gravata ou homens das fábricas. Bicicleta, motoneta, caminhão, apertando-se na rua. Para a cidade ou para as vilas, gente que vem ou que vai."
Quem curte uma boa leitura, calcada na realidade, aconselho o livro Leão-de-chácara, com o qual ganhou o prêmio de ficção da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). Vale dizer que foi João Antônio quem cunhou a expressao imprensa nanica"pra se referir aos pequenos jornais que lutavam bravamente contra o governo ditatorial.
18 de março de 2009
Para nós que gostamos de palavras
expressam uma gama de situações e sentimentos, que por alguma razão, são tão fundamentais em algumas línguas e inexistentes em outras.1-Ilunga (tshiluba) uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez
2-Shlimazl (ídiche) uma pessoa cronicamente azarada
3-Radioukacz (polonês) pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência ao domínio soviético nos países da antiga Cortina de Ferro
4-Naa (japonês) palavra usada apenas em uma região do país para enfatizar declarações ou concordar com alguém
5-Altahmam (árabe) um tipo de tristeza profunda
6-Gezellig (holandês) aconchegante
7-Saudade (português) Precisa explicar?
8-Selathirupavar (tâmil, língua falada no sul da Índia) palavra usada para definir um certo tipo de ausência não-autorizada frente a deveres
8-Pochemuchka (russo) uma pessoa que faz perguntas demais
10-Klloshar (albanês) perdedor
After post: reproduzi aqui um texto que fiz para outro blog que participava
15 de março de 2008
Livro da Semana - Budapeste
Terceiro lugar na categoria Romance no Prêmio Jabuti de 2004, em Budapeste, Chico narra a história de José Costa, um ghost-writer - alguém que escreve para que outros assinem - que é pego por uma armadilha do destino. Ao viajar para um congresso de Ghost-Writers em Istambul, Costa faz uma escala forçada na Hungria. Após o evento, ele resolveu voltar à capital húngara para aprender o idioma e tornou-se amante de sua professora.
Um autor anônimo, um brilhante autor anônimo. Chico Buarque já disse que sua ficção é conseqüência de sua música. A cadência do texto pode facilmente ser comparada à rítmica musical. A “melodia” sai dela, embora não a temática. Mas há um Chico compositor, um Chico escritor. E José Costa, do Rio, é o mesmo Zsoze Kósta, de Budapeste, dois homens que são um só e cuja realização artística se dá sob os nomes de quem assina seus textos.
